quinta-feira, 4 de junho de 2015

Escuridão, um adeus.

 A luz se apagou, ele era um bom homem, ele só queria ser ouvido, ele só precisava ser ouvido, talvez ele tenha tomado algumas decisões erradas, mas ele ainda é um bom homem, suas boas intenções ceifaram o seu discernimento sobre o que ele pode fazer, mas essa é sua maldição: ele acha que pode abraçar o mundo, que ele pode salvar o mundo. Mas não pode.
 Aliás, ninguém pode, nunca existiu - nem existirá - alguém que possa salvar o mundo, mas as pessoas precisam de paz, precisam de algo que lhes ajude a suportar o peso do mundo, precisam de um pilar para construir suas vidas, não as culpo, eu também ter algo que me ajudasse a suportar as coisas, queria ter algo que me desse esperança para abraçar o mundo, algo que me ajudasse a mudar as coisas que estão erradas, mas tudo o que tenho são meus cigarros e antidepressivos.
 O bom homem só precisava de paz, só precisava de uma luz que pudesse o guiar para algum lugar, para o paraíso, mas não posso lhe dizer que isso não existe, não posso deixar o brilho de seus olhos se apagar e ser tomado pela escuridão, mas eu tenho que lhe abrir os olhos e lhe dizer que o pesadelo é real, e não há ninguém para nos salvar.
 Mas talvez eu seja negativo demais, talvez todos nós precisamos saber que a vida é grande demais para não tentarmos mudar o mundo, talvez eu precise de um último suspiro de vida para me acordar da morte, eu só preciso expulsar meus demônios. 

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